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Vai uma taça aí?

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Conhecer um pouco mais sobre vinhos é mais fácil do que parece, basta gostar e querer saborear a bebida dos deuses

Uma das bebidas mais antigas e apreciadas, a história do vinho acompanha a evolução da humanidade. O primeiro registro de produção de vinho de que se tem notícia é de 8.000 a.C. Na Grécia, era a favorita do deus grego Dionísio e ganhou fama de bebida dos deuses, além de ser mencionada com frequência nas histórias de Ésopo e Homero. Os romanos espalharam as videiras por toda a Europa. Desde essa época já se sabia que o vinho tem propriedades medicinais. Na Idade Média, enquanto outras bebidas eram consideradas pagãs, a Igreja Católica incentivava o consumo do vinho.

O primeiro passo para entender e conhecer um pouco mais sobre a bebida é querer apreciá-la. O especialista em vinhos Jeff Previero explica que é preciso ter interesse em desenvolver o sabor e fazer com que os sentidos do olfato e paladar descubram os prazeres do vinho. E só existe uma maneira pra isso: bebendo. “É normal algumas pessoas terem certa resistência ao vinho seco no início. Por isso é importante começar com o tipo de vinho que mais gosta. Sempre digo que o melhor vinho é o que mais agrada ao paladar. O conhecimento vem com o tempo. Para quem está começando a beber, indico um demi-sec europeu ou um chileno carmenere, de boa procedência. Apesar de seco, a sensação final é de doçura e agrada quem está começando. Depois disso, é só continuar apreciando.”

Vinho tinto, como o nome já diz, é feito a partir de uvas tintas e o ideal é que seja servido a temperaturas entre 18ºC e 20ºC. As uvas cabernet sauvignon, pinot noir, malbec, merlot e outras da espécie vitis vinífera são as mais comuns. Os vinhos brancos tem mais acidez e podem ser feitos a partir de uvas brancas ou uvas tintas sem a casca. O ideal é consumir a temperaturas mais baixas. Os que são feitos com uvas jovens podem ser servidos com temperaturas entre 10ºC e 12ºC e um vinho mais encorpado pode ser servido a 15ºC. Os tipos de uvas mais comuns são a chardoney, sauvignon blanc, pinot grigio e moscatel. Já os espumantes, são vinhos que passam por dupla fermentação, ou na garrafa ou em grandes toneis.

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A harmonização atende vários fatores, mas funciona a partir de regras básicas. Um vinho mais encorpado, com mais estrutura e sabor que se prolonga na boca, pode ser harmonizado com alimentos mais pesados. Por isso, vinhos tintos remetem a carnes vermelhas, por exemplo. Já alimentos mais leves, como peixe, ficam melhor com um vinho branco, que é mais ácido. Um vinho de sobremesa, naturalmente mais doce, deve acompanhar sempre pratos doces. Mas todas as regras possuem exceções.

Um mito que deve cair por terra é do que os melhores vinhos são os mais caros. “Muitas vezes o consumidor paga os investimentos feitos desde o plantio da semente da uva até a bebida ser engarrafada, o que pode levar até alguns anos. Mas é possível comprar excelentes vinhos por preços muito acessíveis”, afirma Jeff.

Vinhos chilenos e argentinos agradam o paladar do brasileiro, que foi desenvolvido com base na variedade das uvas. A enófila (nome dado aos apreciadores de vinho) Marilete Previero explica a diferença do que é produzido na Europa e no continente americano. “Por aqui, a procura pelo vinho varietal, ou seja, pelo tipo de uva é mais comum. Em países da Europa o vinho assemblage é o mais consumido. É aquele vinho feito a partir de várias uvas.”

Para que a uva se torne vinho, algumas etapas são seguidas na fabricação, como fermentação, filtragem e envelhecimento. Mas, segundo Jeff, muito da qualidade do vinho é resultado da qualidade da uva e vários fatores são determinantes para isso. A qualidade e a posição do solo, a drenagem, se recebe sol da manhã ou da tarde, o vento etc. “É muito comum encontrar microclimas em determinadas regiões. Dentro de um mesmo parreiral é possível produzir diferentes uvas, com diferentes amadurecimentos. Vinhos da mesma uva nunca vão ser iguais, nem no mesmo ano nem no produtor vizinho.”

Mesmo já engarrafado e pronto pra consumo, o vinho também pode ter a qualidade afetada. Se for transportado por um longo período, é melhor guardar a garrafa por algum tempo antes de abrir. A inversão térmica e o armazenamento incorreto também podem interferir. Se a garrafa for de rolha, deve ser guardada deitada para o vinho ficar em contato com a tampa, e não com oxigênio. Se for garrafa de rosca ou rolha sintética, pode ser armazenado em pé.

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a França é o país que mais produz e consome a bebida. Enquanto os franceses produziram mais de cinco milhões de litros em 2011, o Brasil produziu menos de meio milhão, sendo a maior parte produzida no Rio Grande do Sul. Na França cada habitante bebe em média 45 litros de vinho consumidos anualmente, enquanto no Brasil a média de consumo não passa de dois litros. O consumo geral no país europeu é de quase três milhões de litros, já por aqui são consumidos quinhentos mil. De acordo com os dados, o Brasil consome mais vinho do que produz, e a qualidade do que é produzido evoluiu muito nas últimas décadas.

A procura do consumidor brasileiro pelo vinho produzido no país aumentou nos últimos anos graças a investimentos em divulgação por parte dos produtores. O Ibravin, Instituto Brasileiro do Vinho, realizou uma pesquisa sobre o enoturismo, segmento que gira em torno da bebida. Os resultados mostram que a atividade fortalece a imagem do vinho brasileiro perante o consumidor. De certa maneira, no Brasil o vinho ainda é novidade e sinônimo de status. Aqui existe uma grande variedade de marcas mundiais disponíveis no mercado, mas ainda nem 10% da população consome vinho, sendo que 90% do consumo é de vinhos de mesa. Entender sobre vinhos se tornou um atrativo, ainda mais se for pra ver de perto cada passo da fabricação.

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A pesquisa defende que o contato com o campo e a compra do produto direto do fabricante nas vinícolas fazem parte de uma experiência única. Nestas ocasiões, a qualidade da bebida não é o mais importante, mas sim provocar sensações que superem o sabor do produto. Assim, o consumidor se interessa mais e desenvolve o paladar. “O turismo do vinho é uma das mais eficazes ferramentas de transformação da imagem da bebida produzida no Brasil. O visitante vem, conhece, degusta, pergunta. Interage com o produto, vê paisagem, o cuidado, entende como é elaborado. Se sente orgulhoso de ser brasileiro e se surpreende. É tocado para sempre”, comenta Adriano Miolo, enólogo participante da pesquisa e membro da Ibravin.

Seja em uma linda vinícola ou em casa, na companhia da família e amigos, o vinho é a melhor opção e bebida ideal para momentos de alegria, em que cada garrafa é uma história. “A gente consome o vinho pra confraternizar, unir, é uma bebida para momentos agradáveis em grupo ou para apreciar a própria companhia. Mas é sempre uma experiência prazerosa que traz boas lembranças”, define Marilete.

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