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Psicologia: como incentivar bons hábitos em seu filho?

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“A maioria dos pais não encontra tempo para pensar sobre como agir (ou reagir), muito menos para buscar informação e planejar sua conduta…”

Por Doutora Lilian Daltro Michelan, psicoterapeuta

 

Que pais não querem o melhor para seus filhos? Quais não torcem para que desde cedo eles desenvolvam bons hábitos e tenham sucesso durante a vida?

Mas não é só de amor e torcida que um filho precisa para se desenvolver bem. Mais do que isso, suas habilidades precisam ser esculpidas diariamente e preservadas pacientemente. Como fazer isso quando se tem mil tarefas para administrar ao mesmo tempo? Não é raro encontrar pais esgotados, perdidos em meio às milhões de atividades do dia-a-dia, completamente desorientados sobre o que fazer para encaminhar adequadamente seus filhos.

O estresse da vida moderna sem dúvida é um grande vilão. A maioria dos pais não encontra tempo para pensar sobre como agir (ou reagir), muito menos para buscar informação e planejar sua conduta a longo termo. Como se essa dificuldade não fosse o bastante, ainda lidam com uma imensa pressão social para acertar. Sempre tem alguém que sem participar de sua rotina para entender suas reais necessidades, lança olhares ou dá conselhos sobre o que fazer, como se tivesse as respostas. Na maior parte do tempo, esses conselhos só despertam uma sensação de julgamento, como se os pais não fossem bons o bastante.

Outro fator agravante é a reação do filho às decisões dos pais, que, inseguros sobre estarem no caminho certo, ainda têm que administrar birras, amostras de contrariedade, desobediências e assim por diante. Realmente, educar não é uma tarefa simples, principalmente para aqueles que não vivem exclusivamente para isso. Mas não é algo impossível, se você souber como fazer e aonde quer chegar.

Como começar?

Para começar, procure separar o que realmente é importante do que é um desejo seu, uma vaidade, ou até mesmo produto da pressão dos outros sobre a educação que você gostaria de dar. Foque no que importa, nos alicerces da sua educação e todo o resto se edificará mais facilmente. Quais seriam as atitudes e valores essenciais que você gostaria de transmitir ao seu filho? Se você for sucinto, terá mais chance de acertar! Muitos pais pecam pelo excesso, tentando ajustar de imediato todos os comportamentos do filho ao invés do essencial, e no final das contas não conseguem resolver  nem uma coisa, nem outra.

Valorize os acertos

Observe seus próprios acertos. Identifique de que maneira você já conseguiu transmitir bons conteúdos a ele. Na grande maioria das vezes, os filhos não aprendem com o que os pais dizem, mas com suas atitudes. Por exemplo: se você diz que o trabalho é essencial, mas por conta dele se torna um pai ausente, estressado, sem tempo para trocas afetivas, lazer e outras coisas importantes para seu filho, acabará por demonstrar que o trabalho é uma atividade chata e sacrificante da qual ele deve fugir, embora diga o contrário. Mas se você participa seu filho do seu trabalho, se conta sobre suas vitórias, se mostra na prática que é através desta atividade que você se desenvolve intelectualmente, obtém reconhecimento e estabilidade, ele certamente o admirará e se interessará por isso. O mesmo ocorre com hábitos de boa alimentação, atividade física, dedicação aos estudos e outros.

Não adianta falar se suas atitudes forem contraditórias. Mas a boa notícia é que, se estes valores são realmente importantes pra você, se eles já estão de fato incorporados na sua vida, então basta que vocês convivam para que ele aprenda. Se isso não funcionar, é hora de pensar em como
anda o relacionamento entre vocês.

Evite excessos

Não peque pelo excesso. Cuidado com as expectativas. Elas podem ser grandes armadilhas. Às vezes, com a intenção de realizar o desejo de seu filho você pode terminar sufocando seu interesse. Se ele tem vontade de construir um skate, por exemplo, não vá até a loja e compre o melhor skate que existe. Participe da construção! Leve-o à marcenaria, faça-o sentir que ele é inteligente, curioso, proativo. Deixe que ele pesquise na internet, que converse com outras pessoas sobre como fazer isto. Auxilie-o apenas naquilo que ele realmente não conseguir fazer ou que lhe agrade ter sua participação. Não desperdice uma incrível oportunidade de desenvolvê-lo em função de sua ansiedade por realizar todos os seus sonhos.

Procure o equilíbrio

Quanto mais equilíbrio, melhor. Pais muito desorganizados podem não conseguir ensinar o valor da organização aos filhos. Em contrapartida, pais muito críticos e exigentes também correm o risco de desenvolver uma pessoa ansiosa ou até mesmo desinteressada. É importante entender que seu filho não tem a mesma resistência emocional que um adulto. Então, se o desempenho dele é inferior ao que você espera, comece por manter o seu gosto pela atividade, para que mais tarde ele se aperfeiçoe. Muitas críticas e correções podem sabotar o interesse da criança ao invés de aprimorá-lo.

Aposte na relação

Acima de tudo busque ter um bom relacionamento com seu filho. Para que ele queira aprender com você é necessário que ele confie e se sinta seguro para se abrir e demonstrar quem ele é, do que ele é capaz e quais são suas verdadeiras dificuldades. Ele precisa se sentir uma pessoa amada e especial, que mesmo não cumprindo todas as suas expectativas será sempre uma das pessoas mais importantes da sua vida.

Erros são naturais

Você vai errar e terá que saber lidar com isso. Por mais que você ame seu filho e tenha cuidado, você vai errar. E não há problema algum em admitir isso. É impossível que os pais acertem o tempo todo e fará parte do seu aprendizado administrar seus erros e buscar os acertos. O importante é não desistir, não perder tempo com justificativas e buscar soluções. Se você for capaz de fazer isso, dará outro grande exemplo ao seu filho! Afinal, é assim que nos aperfeiçoamos, em qualquer atividade.

Bons pais não acertam sempre, não são super-heróis. São pessoas que se importam verdadeiramente com seus filhos e querem o melhor para eles. Se motivados por esse sentimento, respeitam sua individualidade, enxergam-no como um ser humano único, com necessidades, interesses e aptidões próprios, então conseguirão dar a ele o amor de que precisa, essencial para seu desenvolvimento. Nenhum filho será idêntico ao que seus pais sonharam, mas o seu filho poderá ser sempre especial, alguém com quem você terá uma relação única, insubstituível. E os bons hábitos? Estes vocês poderão desenvolver juntos, em sua trajetória pelo mundo, o que certamente será uma gratificante jornada para todos!

Alguns pais se preocupam tanto em formar os filhos que não os enxergam de verdade. Tentam impor suas próprias regras de modo autoritário, desprezam o que eles são capazes defazer ou pensar, ignoram suas necessidades, passam por cima de suas emoções. O resultado disso não é aprendizado, mas sim distanciamento, aversão e sensação de inferioridade. Ter respeito e consideração pela individualidade do seu filho é um dos grandes ingredientes do sucesso.

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