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#MeuCorpoÉReal: para quais corpos a moda trabalha?

Com a proximidade das Paraolimpíadas, as pessoas portadoras de deficiências estão em evidência. Inúmeras histórias de superação mostram que as deficiências físicas são barreiras que podem ser superadas, desde que haja inclusão. No mundo da moda, não é diferente. É preciso que as pessoas que não se encaixam aos padrões de mercado também sejam incluídas no cenário, o que, muitas vezes, não acontece.

Pensando na situação de exclusão dos portadores de deficiência, a estilista e cadeirante Michele Simões criou o projeto “Meu corpo é real”. Após sofrer um acidente de carro e perder o movimento das pernas, Michele desenvolveu uma nova perspectiva em relação a seu objeto de trabalho – a moda. No projeto,  a diversidade de corpos é explorada, a fim de mostrar que não precisamos seguir, necessariamente, um padrão, afinal, todas as pessoas têm direito de consumir.

Além dos deficientes, pessoas acima do peso também sofrem com a invisibilidade perante o mundo da moda. Blogueiras especialistas criam canais exclusivos para a corrente plus size, mostrando que é possível sentir-se bem com o próprio corpo, independentemente das imposições do mercado.

É provável que quase a totalidade de pessoas que não apresentam deficiências físicas ou necessitam de representatividade da moda plus size não tenha pensado na importância do assunto. Por isso, diante da falta de informação que a indústria tem em relação aos corpos que estão fora dos padrões hegemônicos, o projeto “Meu corpo é real” tomou forma e ganhou fôlego.

Atualmente, o projeto realizou um ensaio fotográfico conceitual e já produziu um mini documentário para divulgar a ideia. A intenção do material é desconstruir a imagem de um deficiente que não consome, o que limita o público a consumidores de produtos ortopédicos e hospitalares, o que é totalmente equivocado.

Bruno e Rav 1

 

Primeira tarefa: enxergá-los! 

Para Michele, a tarefa mais difícil é deixar de enxergar os deficientes como vítimas para visualiza-los como pessoais normais. É preciso ter consciência de que eles se alimentam, estudam, consomem e realizam atividades diversas, da mesma maneira que o restante da população.

Além de incluí-los nas tendências da moda, é necessário também criar pensando em suas limitações físicas. Michele conta que, antes de criar o projeto, pensava sobre a dificuldade que tinha em se vestir sozinha e como algumas adaptações no corte e costura facilitariam sua vivência. Entre os problemas encontrados no comércio, além da forma e acabamentos que dificultam o uso,  um deficiente visual, por exemplo, não tem acesso ao o que está exposto na vitrine. Isso aliado à falta de preparo dos vendedores faz com que o mesmo quase sempre dependa de terceiros na escolha de seu produto, impossibilitando questões muito importantes como a autonomia e a própria identificação com o produto no momento da compra.

Confira algumas imagens do ensaio promovido pelo projeto com a finalidade de alertar sobre temas de inclusão e dificuldades sofridas pelos portadores de deficiência:

 

Letícia 3

Bruno e Rav 2

Barbara 2

Letícia 1

 

Os idealizadores do projeto já promoveram um evento para divulgar a ideia. O Fashion Day Inclusivo tirou dúvidas e reuniu estudantes de moda para discutir temas relacionados à inclusão.

O mini documentário pode ser assistido aqui. 

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