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Mário de Andrade

“Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta”.

Por Mariana Hafiz

Em 1945 o Brasil perdeu seu notável escritor Mario de Andrade para um mero infarto. Desde então, muito pouco foi feito para que sua memória continuasse viva, até que o hiato de setenta anos teve fim graças à série de homenagens programadas para 2015.

Na agenda estão presentes ciclos de debates e discussões promovidos pelo Sesc-SP, a Festa Literária de Paraty (Flip), que será realizada em julho, e o lançamento da primeira biografia do escritor intitulada “Eu sou Trezentos”. Tudo serve como prefácio para a disponibilização das obras de Andrade em domínio público, de “Pauliceia Desvairada” (1922) a “Macunaíma” (1928), o que acontecerá a partir do primeiro de janeiro de 2016. 

marioandrade

Mario nasceu e viveu em São Paulo, onde apresentou ao Brasil os ares da mudança. No Teatro Municipal de São Paulo, trouxe elementos vanguardistas que rompiam com a estrutura sólida e conservadora da arte nacional, apresentando o modernismo inovador através de apresentações artísticas e debates num evento que ficou eternizado na História da Arte e Literatura Brasileiras e marcou o escola modernista no país: A Semana de 1922. Considerado “papa do modernismo”, Andrade leu poemas de sua autoria e defendeu que o país precisava ingressar no “concerto das nações cultas”, visão extremamente universalista para a época.

Reconhecido por sua agitação e pela preocupação com a identidade cultural brasileira e com a cultura popular do país, apesar de um período agitado politicamente no Brasil, na década de 1930 Mario de Andrade foi convidado a ser diretor do Departamento de Cultura de São Paulo, realizando um projeto modernista singular que visava colocar em contato diferentes segmentos da população.

Ele criou projetos para diversos centros culturais voltados para o público infanto-juvenil, que promovessem a cultura em um ambiente de ampla convivência social. Eram parecidos com o que temos hoje no Sesc e envolviam iniciação à vida, cultura, atividade física e alimentação.

Em Paraty

Na Flip deve ocorrer uma homenagem à Mario de Andrade despida de tabus, com a ideia de prestar uma homenagem que coloque em discussão o escritor presente atualmente, visto que seu trabalho repercute até os dias de hoje e é infalível no quesito de criar novos “discípulos”. Paraty será o palco da publicação em HQ de “Macunaíma”, realizada pela editora Nova Fronteira, detentora dos direitos da obra do escritor. Outra biografia também será lançada, escrita pelo jornalista Jason Tércio, baseada em cartas inéditas trocadas entre Andrade e alguns de seus amigos cúmplices literárias. Há também o lançamento de “Literatura Burocrática de Mário de Andrade”, que reúne relatórios e projetos de lei criados por ele.

Mário Vive

No próximo dia 23 a Casa Mário de Andrade será reaberta e contará com a presença virtual do autor. Melhor dizendo, o ator Pascoal da Conceição, que o interpretou na minissérie global “Um só coração” será o responsável pela representação do falecido dono da casa.

oficina-cultural-mario-de-andrade

Situada na rua Lopez Chaves, número 546, na Barra Funda em São Paulo, a antiga residência do escritor, que hoje funciona como “Oficina Cultural Casa Mário de Andrade”, contará com uma programação recheada de estudos e criação de gêneros literários, palestras, leituras dramáticas, recitais, mostras de filmes e inclusive lançamentos de livros e saraus.

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