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HIPISMO: BELEZA E SAÚDE

Por Fábio Barbosa

Foto: Photography N Focus Inc.

Um esporte tradicional e muito elegante, assim pode ser definido o hipismo. Modalidade que teve início no longínquo século 18 na Grã-Bretanha, quando foi determinado o cercamento de áreas no campo e os caçadores passaram a pular as cercas com seus cavalos. É considerado um esporte de elite, pois os custos com os cavalos e equipamentos são bem elevados, mas se popularizou bastante nos últimos anos, principalmente com as disputas nos Jogos Olímpicos mundiais.

A sintonia entre homem e animal é um dos pontos que mais desperta atenção no hipismo, seja para quem o pratica, como para quem o assiste. Essa ligação é milenar. O primeiro registro sobre o adestramento de cavalos remonta a 1.360 a.C., no antigo reino de Mitanni, região onde hoje estão a Turquia, Síria e Iraque.

Por séculos os cavalos foram usados apenas para fins militares em diversas regiões do planeta, mas passaram a ganhar destaque esportivo nas Olímpiadas da Grécia Antiga. Há registros históricos de que as famosas corridas de bigas, impulsionadas por quatro cavalos, começaram nos jogos de 648 a.C.

As primeiras provas de salto foram realizadas no século 19, na Inglaterra, quando cavaleiros e cavalos tinham o hábito de saltar durante as caçadas. As primeiras pistas com obstáculos foram organizadas em 1881, em Dublin, e serviram de base para as competições existentes atualmente. Mas foi o italiano Federico Caprilli que, no início do século 20, revolucionou os saltos com cavalos ao desenvolver a técnica do assento adiantado, em que o cavaleiro salta sentado, sem precisar inclinar-se para trás.

No Brasil, a primeira competição hípica realizada foi o Torneio de Cavalaria, em abril de 1641, em Maurícia, região onde hoje é o Recife. Organizada pelo holandês Mauricio de Nassau, a prova contou com a participação de dois grupos de cavaleiros: um formado por holandeses, franceses, alemães e ingleses e outro por portugueses e brasileiros, que foram os vencedores. A primeira iniciativa de tornar o hipismo um esporte oficial no país foi através da criação da Escola de Equitação de São Cristóvão, em 1863, pelo capitão do exército na época, Luiz Jacomé de Abreu de Souza.

A Confederação Brasileira de Hipismo foi criada quase um século depois, em 19 de dezembro de 1941, na cidade do Rio de Janeiro, e teve como primeiro presidente o general Valentim Benício da Silva. Principal entidade do esporte no país, a CBH é responsável pela formação das equipes nacionais que representam o Brasil em competições internacionais, como as Olímpiadas, por exemplo, pela realização de campeonatos, seletivas e cursos, e pela captação de verbas juntos aos órgãos governamentais e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

O Brasil possui hoje oito esportes hípicos regulamentados pela CBH: adestramento, atrelagem, concurso completo de equitação (CCE), enduro, equitação especial (paraequestre), rédeas, volteio e salto.

A amazona Roberta Martha cresceu em uma família de criadores de cavalos e desde os cinco anos de idade monta o animal. O que antes era apenas um hobby, virou competição. Há cinco anos Roberta começou a participar de provas de salto pelo país. A motivação veio de dentro de casa. “Eu sempre gostei de cavalos e de montar, mas como um lazer, um hobby apenas. Foi a minha filha que me fez voltar a praticar o esporte. Ela começou a montar e disputar provas e me motivou a fazer o mesmo. Hoje participo de várias competições pelo país, mas é ela quem se destaca mais”, explica Roberta.

O orgulho de Roberta se explica. Maria Luiza da Silva Martha Vieira, de 12 anos, foi vice-campeã brasileira na categoria pré-mirim no mês de julho, em competição disputada no tradicional Clube Hípico Santo Amaro, em São Paulo. A jovem amazona competiu com outros 43 conjuntos (cavaleiro e cavalo) e chegou a esse belo resultado montando o cavalo Tempo d’Herbaje Z.

Roberta e Maria Luiza treinam no centro hípico Santa Rosa, em Bauru, que dispõe de moderna estrutura física e profissionais de ponta, tanto no cuidado com os animais como na experiência prática do hipismo clássico.

Foto: David Goldman / The Associated Press

HIPISMO NAS OLÍMPIADAS

O hipismo foi disputado pela primeira vez como esporte olímpico nos Jogos de Paris, em 1900. Ficou de fora das competições de 1904 (St. Louis), 1906 (Atenas) e 1908 (Londres), retornando em 1912, em Estocolmo, e permanecendo até os jogos atuais. O hipismo é a única modalidade olímpica em que homens e mulheres competem juntos na disputa por medalhas, nas provas mistas, em condições de igualdade.

Atualmente, três provas compõem a grade do hipismo nas Olímpiadas: salto, adestramento e concurso completo de equitação (CCE). Todas são disputadas em provas individuais e por equipes.

A prova de salto foi a primeira modalidade do hipismo a fazer parte dos Jogos Olímpicos, estreando em Paris (1900). Vence a competição o conjunto (cavalo e cavaleiro) que completar o percurso, que tem de oito a 12 obstáculos, no menor tempo possível e com menor número de faltas cometidas. Na prova individual, são disputadas três eliminatórias, com os 20 melhores avançando paras as finais. A final é realizada em duas rodadas e o cavaleiro com melhor desempenho nas duas etapas fica com a medalha de ouro.

O adestramento entrou para o programa olímpico nos Jogos de Estocolmo (1912). Nesta prova, o cavaleiro deve conduzir o animal, sem emitir qualquer som, a executar movimentos obrigatórios como passos, trotes e galopes, livres e coreografados. A competição é divida em três etapas:

Grand Prix, em que os conjuntos (individuais e por equipes) executam movimentos obrigatórios e 32 atletas se classificam para a fase seguinte (24 por equipes e os oito melhores individuais).

Grand Prix Special, em que também são executados movimentos obrigatórios e se definem os vencedores da prova por equipes e os 18 finalistas da prova individual.

Grand Prix Freestyle, nessa prova os movimentos são livres e devem ser executados ao som de uma música. Esse modelo de apresentação define os medalhistas da prova individual.

Já o conjunto completo de equitação (CCE), que também estreou nas Olímpiadas em 1912, engloba as duas provas anteriores mais o cross country. Também chamado de “triatlo equestre”, vence o conjunto que completar as três etapas com o menor número de faltas possíveis. Cada prova é disputada em um dia diferente e o cavaleiro deve utilizar o mesmo animal em todas as etapas. A prova de cross country, diferencial dessa modalidade, é disputada em um percurso ao ar livre, com aproximadamente sete quilômetros, repleto de obstáculos como troncos, cercas e lagos, e tem entre 40 e 45 saltos ao longo do trajeto.

O Brasil tem três medalhas olímpicas no hipismo. Uma de ouro, conquistada por Rodrigo Pessoa na prova de salto, em Atenas (2004), e duas de bronze, em Atlanta (1996) e Sidney (2000), por equipes. Os cavaleiros medalhistas nas duas oportunidades foram Luiz Felipe de Azevedo, André Johannpeter, Álvaro de Miranda Neto e Rodrigo Pessoa.

Foto: Red Ribbon Photography

ESCOLAS DE HIPISMO

Assim como muitos esportes, o hipismo pode ser praticado por todas as idades. Cada vez mais crianças buscam na modalidade a atividade física preferida. Escolas de hipismo estão se tornando mais comuns em haras e hípicas do Brasil.

Em Bauru, uma dessas escolas fica na Hípica Villa Itália. Atualmente, mais de 40 crianças praticam o hipismo clássico diariamente em uma pista desenvolvida para esse tipo de atividade. São quatro etapas que o aluno deve desenvolver ao longo das aulas. Primeiro aprende a cavalgar com o cavalo dando passos, trotes e galopes. Na sequência, a criança passa a desenvolver caminhos em formas específicas com o animal. A terceira etapa trabalha a postura e a disciplina do aluno sobre o cavalo. Ao final, a criança passa a realizar saltos com o animal.

Na verdade, a aula de hipismo tem início antes mesmo do aluno subir no animal. “Toda aula se inicia com a aproximação do aluno com o animal, o contato. Depois a preparação da sela, como colocá-la no cavalo, levar o animal para a pista. Após a aula eles ainda dão banho e limpam os cascos dos cavalos. É todo um processo, não é apenas chegar, montar e andar com o animal”, explica Valentina Ciabatti, instrutora de hipismo e proprietária da Hípica Villa Itália.

Vários são os motivos que levam a criança a buscar no hipismo uma prática esportiva. A pequena Sofia Silvestre de Oliveira, de apenas sete anos, conheceu o hipismo através da escola. Ela, que nunca havia andado a cavalo antes, já pratica a modalidade há um ano. Sempre muito agitada, o hipismo trouxe a calma e a concentração que antes não existia tanto. “A Sofia é uma criança muito agitada e o hipismo a deixou mais tranquila e equilibrada no dia a dia. Ela passou a lidar melhor com as adversidades também, pois não é sempre que o cavalo está disposto a obedecer aos comandos que ela passa nas aulas”, explica Izabel Silvestre, mãe da amazona mirim.

Já a aproximação da jovem Camila Tonon, de nove anos, com o hipismo se deu através de uma indicação médica. Ela que já havia feito natação, ballet e pilates viu na atividade com os cavalos uma forma de amenizar as dores nas pernas que a incomodavam tanto. “Desde os quatro anos ela faz alguma atividade física, mas sempre reclamou de dores nas pernas. Até que um dia a médica indicou o hipismo e ela se apaixonou pela modalidade. Além da melhora física, pois ela não reclamou mais de dores, o contato com o animal traz benefícios para o comportamento das crianças, que aprendem a lidar com um ser vivo bem diferente do que elas estão acostumadas”, comenta Andréa Tonon, mãe da Camila.

Foto: divulgação

EQUOTERAPIA

O cavalo é benéfico não só para o esporte ou para o lazer. O animal também é utilizado para beneficiar pessoas com algum tipo de deficiência, seja ela mental ou física. É a equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial dos pacientes.

Mas se engana quem pensa que basta apenas ter um cavalo e uma pista para a prática da equoterapia. Várias normas estabelecidas pela ANDE Brasil (Associação Nacional de Equoterapia) devem ser cumpridas. “O cavalo utilizado na equoterapia não é o mesmo de provas de hipismo, ele é treinado especificamente para essa finalidade. Antes de se iniciar o tratamento, o aluno passa por avaliações médicas, fisioterapêuticas e psicológicas. As sessões devem ser acompanhadas de um fisioterapeuta, um psicólogo e um instrutor de equitação. Nós ainda temos um educador físico na equipe. As pistas devem ser sinalizadas e cercadas, para a segurança do animal e do aluno. E a cada quatro meses são realizadas avaliações do desenvolvimento do paciente”, explica a fisioterapeuta Sabrina Breslau, instrutora de equoterapia do centro hípico Santa Rosa, em Bauru.

A ANDE exige que o atendimento equoterápico deve ter um compromisso filantrópico para que possa atingir também classes sociais menos favorecidas, afim de não construir uma atividade elitizada.

Os benefícios são muitos para o paciente que pratica a equoterapia, independente da necessidade que o tenha feito buscar a atividade, conforme explica Sabrina. “Em comparação com outras terapias, a equoterapia age de forma mais lúdica com o paciente porque ele não está em uma sala fechada, mas sim em um ambiente aberto, em meio à natureza. O cavalo proporciona ao paciente um movimento tridimensional, pra cima, pra baixo, pros lados, que o paciente recebe sem perceber, apenas com o trote do animal. Sem fazer esforço algum, ele executa vários movimentos em cima do cavalo. Há ainda o imput sensorial, em que o cérebro recebe informações para despertar células adormecidas e melhorar a coordenação motora, a fala, a sensibilidade, a autoestima, o comportamento. Várias áreas do cérebro são trabalhadas durante uma sessão.”

Foram esses benefícios, aliados a indicação médica, que motivaram Elisabeth da Silva Soriano a levar o filho Mateus, de 20 anos, para as sessões de equoterapia. Autista, há quatro anos ele faz aulas de equoterapia com o objetivo de melhorar o equilíbrio e a coordenação motora. “O primeiro contato do Mateus com o cavalo foi através da APAE, que realizava sessões de equoterapia no quartel da Polícia Militar. Mas lá o paciente faz apenas um ano de terapia, devido à quantidade de pessoas que necessitam do tratamento. Como nós notamos que houve muita melhora no equilíbrio dele, pois ele nasceu com uma leva paralisia no lado esquerdo, procuramos um lugar em que ele pudesse continuar com as sessões. Ele também passou a ser mais tranqüilo e mais concentrado nas atividades depois que começou a equoterapia”, explica Elisabeth.

As sessões de equoterapia podem ser realizadas em grupo, mas o planejamento de atividades e as avaliações são individuais. Cada aula é preparada de acordo com as necessidades do paciente. “Cada paciente tem a sua aula, o planejamento de sessão próprio e os equipamentos de acordo com as necessidades que possui. Toda semana nós avaliamos o desempenho do paciente e, a partir dessa avaliação, planejamos a próxima aula. Não temos um prazo pré-determinado para o paciente ter alta, isso ocorre de acordo com a evolução de cada um”, ressalta Sabrina.

TERMOS USADOS NO HIPISMO

Conjunto: dupla formada pelo cavaleiro e seu cavalo;

Muro: tipo de obstáculo geralmente feito de madeira;

Paddock: próximo atleta a competir;

Forfalt: desistência de um atleta da prova disputada;

Oxer: tipo de obstáculo com duas varas paralelas, sendo uma mais alta que a outra;

Paralela: tipo de obstáculo com duas varas de mesma altura e paralelas;

Refugo: desistência do cavalo no momento de executar o salto.

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Comentários

Taciana disse em 13/05/2016

Tenho interesse no hipismo pra meu filho, gostaria de saber se conhecem alguma escolinha em Feira de Santana?

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