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Gregório Graziosi estreia no cenário do cinema nacional.

Por Mariana Hafiz

Obra é um longa-metragem de estreia do cineasta paulistano Gregório Graziosi que entrou em cartaz no dia 13 de agosto em onze cidades brasileiras, como São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza. O filme é filmado em preto e branco no formato scope e retrata a cidade de São Paulo de forma inovadora e vem conquistando público e crítica pelos festivais do Brasil e do mundo. O filme fez sua première internacional no Festival de Toronto 2014. Já sua pré-estreia nacional ocorreu no Festival do Rio 2014, onde conquistou o prêmio de melhor fotografia e foi eleito o melhor filme latino-americano pela Federação Internacional de Críticas Cinematográifcas (FIPRESCI, em francês).

Protagonizado por Irandhir Santos e Júlio Andrade, dois dos grandes atores do cinema brasileiro atual, o filme conta a história do jovem arquiteto João Carlos de Almeida Neto (Irandhir) que, às vésperas do nascimento do primeiro filho, descobre um cemitério clandestino na obra que executa em um terreno que pertenceu a seu avô. Duramente confrontado por seu mestre de obras (Júlio), tem de encarar os difíceis dilemas a respeito do passado de sua família.

A relação do arquiteto com o mestre de obras, de Irandhir com Júlio, foi crucial para a ação do filme. Irandhir é muito rigoroso em sua atuação, tem um domínio corporal e uma forma de atuar muito precisa. Júlio também é um grande ator, que tem tanta força no olhar”, analisa Graziosi.

Em crise e oprimido por uma cidade que o fascina, mas também o sufoca, João Carlos tem uma relação contraditória com a metrópole e seus arranha-céus que restringem seu horizonte. Em suas andanças por uma cidade quase futurista, em que os espaços se fecham sobre ele, o arquiteto questiona suas origens e passa a reavaliar sua profissão, a cidade e sua relação com a esposa (a atriz britânica Lola Peploe), uma arqueóloga urbana que pesquisa a história recente da capital paulista.

Mais que cenário, a metrópole é protagonista dessa história, pois são as relações de cada personagem, e principalmente do arquiteto, com seus espaços públicos e privados que delineiam as ações e as emoções de cada um deles.

Nas palavras do diretor, “construí esse filme, sobre um arquiteto que se relaciona com diferentes camadas da memória da cidade, que voltam para a superfície e afetam o presente dele e dos outros personagens. A cidade está presente em quase todos os planos. Esse filme, de alguma maneira, pode ser visto como um passeio arquitetônico pela cidade. Nosso protagonista se sente oprimido pela estrutura urbana, e parece que o concreto e os prédios vão se fechando cada vez mais sobre ele”.

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Irandhir Santos e Julio Andrade

Para retratar esse caráter único da cidade, Graziosi realizou uma detalhada pesquisa de locações e escolheu, em parceria com a produtora Zita Carvalhosa, o diretor de fotografia André S. Brandão e os diretores de Arte Mario Saladini e Vera Oliveira, pontos-chaves da arquitetura e do urbanismo paulistano.

Fotografados com preciosismo e em preto e branco, há cenários como o centro antigo da capital, edifícios icônicos como o Copan, o Conjunto Nacional, a Igreja da Consolaçãp, o Edifício Eiffel, o Complexo Desportivo Baby Barioni, a Estação Pinacoteca. Quebrando o mar de concreto, em momento em que a narrativa também muda de tom e se transfere para a vida familiar do personagem, a Casa Baeta, do arquiteto Marcos Acayaba, revela que arquitetura e natureza podem ser harmoniozas.

“Acho que o que me motivou foi a história e principalmente o olhar especial que o Gregório tem para os lugares. Ele consegue contar a história de maneira muito humana, quase sem mostrar as pessoas. Vai aos lugares para chegar à pessoa, isso me cativou de cara”, declara Irandhir.

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Sobre o Diretor:

Nascido na cidade de São Paulo, Gregório Graziosi, 31 anos, é formado em Cinema e Artes Plásticas. Seus curtas-metragens Saba (2007), Saltos (2008), e Monumento(2012) foram exibidos em importantes festivais de cinema como Cannes Cinefondation, Locarno, Mar Del Plata, Clermont Ferrand, IDFA e Cinema Du Reel. Obra é seu primeiro longa-metragem. Atualmente desenvolve seu segundo longa TINNITUS, escrito a quatro mãos com o cineasta Marco Dutra, novamente tem produção de Zita Carvalhosa pela Superfilmes.

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