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Fotografia brasileira é destaque no cinema

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Por Mariana Hafiz

Sebastião Salgado é um doa maiores nomes da fotografia brasileira. Nascido em 1944 em Aimorés, Minas Gerais, o fotógrafo percorreu o planeta e registrou imagens raríssimas. Reconhecido no mundo todo, Sebastião já ganhou prêmios como o de Melhor Repórter Fotográfico do Ano pelo Internacional Center of Photography de Nova York e o Grand Prix, da Cidade de Paris.

O curioso é que a fotografia nem sempre esteve presente em sua vida. Passou sua infância em uma fazenda no interior do Vale do Rio Doce e posteriormente formou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Fez pós­graduação na Universidade de São Paulo, onde teve aulas com professores renomados e ligados à esquerda política. Casou­se com a pianista Lélia Deluiz Wanick, que se tornou companheira em diversos trabalharam, e tiveram dois filhos.

Em 1969, depois de participar de um movimento da esquerda armada durante a ditadura militar no Brasil, o casal se refugiou na França. Foi naquele país que Salgado fez o doutorado enquanto Lélia estudava arquitetura. O fotógrafo ainda trabalhou como economista para a Organização Internacional do Café, em Londres.

Sebastião trabalhou para agências internacionais de comunicação como Sigma, Gamma e Magnum, além de possuir os prêmios mais importantes do fotojornalismo em seu currículo. Por ser um refugiado do militarismo brasileiro, Sebastião iniciou sua vida fotográfica com viés social em lugares de regimes também ditatoriais, como África e América do Sul. Seu objetivo era retratar o mundo subdesenvolvido de onde veio. Com forte engajamento político, buscou no primeiro momento de sua carreira mostrar a fome.
No ano passado, o fotógrafo foi personagem de um documentário que narra sua vida. Dirigido por Juliano Ribeiro Salgado, seu filho, e pelo cinesta Win Wenders. O filme foi indicado ao Oscar 2015 na categoria de “Melhor Documentário”.
Em 110 minutos, o longa retrata as visões sobre o universo tão particular de Sebastião Salgado. A produção audiovisual é uma junção única de cinema e fotografia. O espectador é transportado para dentro das fotos que retratam os dramas, as emoções e os problemas ao redor do mundo sob o olhar atento do artista responsável por um registro único do ser humano.

Os relatos cheios de emoção de familiares e amigos dão um significado especial para cada uma das imagens exibidas, o que faz com que o público tenha a sensação de estar em uma galeria com retratos e imagens marcantes. Os tons em preto e branco, marca registrada do fotógrafo, criam uma atmosfera única. A narração sobre a vida de Salgado, feita por Wenders, nos aproxima do homem por trás da fotografia ao olhar para sua história e sua intimidade.

As descrições do próprio personagem permitem conhecer melhor a história de cada imagem. Marcado por uma narrativa não convencional, o documentário tem com uma de suas principais características a ausência de diálogos. Toda a história é contada a partir de monólogos de Salgado, seu filho Juliano e de Wenders. Os relatos nos proporcionam diferentes aspectos sobre as fotos e a personalidade do fotógrafo.

Ao contar a história de Salgado de forma não linear e misturar os trabalhos do passado e do presente, os diretores criam um diálogos em uma montagem extremamente rica. Ao final, é possível perceber como as experiências vividas por Sebastião moldaram o homem que ele é hoje.

A crítica até o momento foi muito favorável ao documentário, que pode ser assistido em São Paulo na Reserva Cultural – Bela Vista e no Espaço Itaú de Cinema, na Consolação.

 

OUTROS TRABALHOS
Seu primeiro livro, intitulado “Outras Américas”, retrata a pobreza da América Latina. Em sequência foi publicado “Sahel: Homem em Pânico”, sobre a seca no norte africano.

De 1986 a 1992 assumiu um projeto que consolidaria sua carreira como documentarista: trabalhadores rurais. Seu objetivo era captar os últimos suspiros do trabalho manual, que em breve seria substituído pela tecnologia, e as condições quase subumanas dos trabalhadores.

O trabalho seguinte foi ainda mais impactante: “Êxodos”. Por uma década acompanhou a migração da população rural para as cidades. O fotógrafo andou a pé, de ônibus e de trem para registrar as razões e os motivos do homem que migra. Retratando as dificuldades como guerras por conta da fome, ele mostrou que a busca pela sobrevivência é uma característica essencial à existência humana.

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Essa obra monumental também foi um êxodo para Sebastião Salgado, que parou o projeto quando se viu tomado por infecções. O sofrimento que presenciou, especialmente em Ruanda, quase o levou à morte. Tinha perdido a fé na humanidade.

Decidiu voltar ao Brasil com Lélia e seus dois filhos e, ao chegar na fazenda onde cresceu, deparou-se com a devastação causada pelo desmatamento. O que antes era floresta, havia se transformado em pasto. Um lugar que abrigava em torno de 35 famílias que viviam do que plantavam, transformou-se em uma terra infértil, abrigando apenas o caseiro. Assim nasceu o “Instituto Terra”, projeto criado pelo casal a fim de reflorestar toda aquela área. Conseguiram plantar mais de 2 milhões de mudas, todas de espécies nativas da região, através de parcerias com empresas e com o governo.

Para o fotógrafo, essa experiência foi como renascer. Sair da morte que o cercava e acompanhar o nascimento daquela floresta o ajudou a criar outras perspectivas.

 

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Em meio a esse cenário, surge seu último livro, “Gênesis”, no qual o gênio da fotografia se volta para a natureza. Por oito anos Sebastião visitou Galápagos, Madagascar e outras ilhas onde há grande preservação de espécies. O homem, em suas origens, também faz parte do livro. Tribos indígenas que mantiveram seus costumes e vivem no Brasil de 500 anos atrás estão presentes nessas 500 páginas.

Uma obra de grande importância, com uma vasta riqueza cultural que deve ser conhecida por todo brasileiro.

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