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Estresse: um velho conhecido da humanidade

ESTRESSE

Estresse

Por Adriana Serrano, psicoterapeuta

A vida moderna, sem sombra de dúvidas, trouxe facilidades para o dia a dia. Nunca foi tão fácil se comunicar com amigos, planejar viagens incríveis, obter informações relevantes em qualquer lugar, ao alcance da ponta dos dedos, estudar e trabalhar sem sair de casa, guiar-se numa cidade desconhecida, e assim por diante. Ao mesmo tempo, porém, nunca fomos tão desafiados ao esforço de manter nossa vida em equilíbrio, administrando todos os desejos e necessidades advindos dessa nova realidade e lutando por nossos (sagrados!) momentos de paz e silêncio. Sem perceber, trouxemos para o nosso cotidiano uma necessidade de adaptação constante a novidades e mudanças, que seguem o ritmo acelerado das inovações tecnológicas e exigem cada vez mais de nossos sentimentos e comportamentos. É o estresse, esse velho conhecido da humanidade e tão típico personagem da sociedade atual.

 

O PROBLEMA DA CRONICIDADE

Apesar de ter caído de vez no vocabulário popular há apenas alguns anos, o estresse não é um conceito novo, e não faz parte só da vida moderna. Sempre que enfrentamos uma situação nova, nosso corpo entra em alerta, com o objetivo de ampliar sua capacidade de observação do ambiente em busca de elementos que fundamentem decisões sobre o que fazer. O estresse nada mais é do que esse estado de alerta, que nosso organismo aprendeu a disparar toda vez que nos deparamos com um desafio desconhecido. Lá atrás, na época dos homens das cavernas, esse alerta foi de extrema importância para proteger a vida do grupo e a sobrevivência da espécie humana, de modo que ficou impresso em nossa genética até hoje. Trata-se de um estado biológico, marcado principalmente pelo aumento da adrenalina, que nos deixa mais “ligados” e vem acompanhado de agitação, taquicardia e tensão muscular, entre outros sintomas.

A grande questão é que, hoje, os estímulos que disparam nosso estado de alerta (situações novas e de mudança) estão em todo lugar, exigindo de nós, a todo momento, uma resposta sobre o que fazer. Isso generalizou e cronificou o estresse, provocando aumento constante da tensão, elevação da pressão arterial, alterações hormonais e imunológicas, além de um forte sentimento de ansiedade. Como saída para o problema, tentamos responder às pressões e buscar a adaptação, até que nos vemos completamente exaustos e desamparados, impotentes diante de tantas exigências e incapazes de continuar lutando. De fato, fugir totalmente do estresse, hoje em dia, pode ser uma utopia, mas há formas de administrar as pressões e evitar a exaustão para ter maior qualidade de vida.

 

REVENDO VALORES

É preciso, em primeiro lugar, refletir sobre os valores implícitos na sociedade. As exigências não são pequenas: ser um excelente profissional, nunca parar de estudar, ter muitos amigos, apresentar-se sempre com aparência impecável, pagar todas as contas em dia, consumir alimentos saudáveis, educar os filhos com excelência, estar sempre bem informado… Será que alguém, de fato, consegue cumprir com tudo isso? Quanto mais nos cobramos perfeição, sentindo que temos de atender às expectativas do mundo lá fora, mais em alerta ficamos e mais estímulos discriminamos de nosso ambiente aos quais temos de nos adaptar. Assim, abrir mão do desempenho 100% pode ser o primeiro passo para uma vida mais tranquila e feliz. Aceitar limitações e aprender a dizer “não” nas horas adequadas traz resultados fantásticos nesse sentido.

Mas não adianta dizer “não” para um compromisso e colocar outro no lugar. Apesar da sensação de poder que nos invade quando assumimos a postura de “super-homens” e “supermulheres” e damos conta de tudo o que precisamos resolver, não podemos esperar até que tudo esteja resolvido para nos darmos ao luxo de descansar. O lazer e o ócio são necessidades humanas imprescindíveis e é fundamental encontrar espaço na agenda para eles. Com a quantidade de tarefas que precisamos assumir, isso implica em se acostumar a conviver com trabalhos inacabados durante o período de descanso, mas acredite: com o lazer incluso na rotina, a produtividade e a eficiência aumentam, o que torna possível resolver as pendências rapidinho.

 

CRIANÇA

SIMPLES COMO SER CRIANÇA

Outro antídoto para o estresse são os bons relacionamentos. O homem é um ser social, que sempre viveu em grupos, onde todos se apoiam mutuamente. Então, não é de hoje que cultivar amizades, viver em harmonia com a família e curtir os filhos e sobrinhos são verdadeiros segredos para se viver bem. As crianças, aliás, podem ser um fator de proteção ao estresse, com seu jeito alegre e descomplicado de enxergar a vida.

Descomplicar, aliás, é uma palavra-chave nesse contexto: depois de chegar à Lua, atingir conquistas inimagináveis na tecnologia e direcionar o mundo para onde quiser, o homem tem buscado (e encontrado!) a paz e a felicidade numa vida simples. Vale se aproximar da natureza, ter uma hortinha no quintal de casa, fazer a própria comida de vez em quando, sem pressa nem necessidade de acertar, andar descalço, passear com o cachorro, cochilar na rede… São atitudes lá do tempo da vovó que vêm ganhando força pela capacidade de regeneração que trazem aos estressados de plantão. Atividades físicas divertidas também têm essa função de extravazar, desde que não incluam competitividade nem obrigação de acertar. Importantíssimo para serem incluídas no dia a dia!

 

O PROBLEMA DA CRONICIDADE

Tudo isso, na verdade, converge para uma regra crucial quando se trata de estresse: a busca de contrapontos para toda e qualquer situação de tensão. Como o equilibrista abre os braços para caminhar sobre a corda bamba, administrando o peso de um e de outro lado do corpo, nós também, no dia a dia, podemos viver de forma mais equilibrada, contrabalançando vida pessoal e profissional, trabalho e lazer, tecnologia e simplicidade, estresse e tranquilidade. É um desafio, sim, especialmente quando nos vemos num mundo com cada vez mais características de corda bamba. Mas é possível, quando aceitamos rever prioridades e mudar hábitos em nome de uma vida mais prazerosa.

 

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