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Érick Jacquin

O jurado carrasco do MasterChef que conquistou o Brasil

 

FOTO: CHICO CANINDÉ ASSESSORIA

Um chef francês que escolheu o Brasil para viver. Com mais de 360 mil seguidores no Instagram, Erick Jacquin ficou conhecido como jurado do Masterchef Brasil, reality show exibido pela Band, mas possui uma longa carreia na gastronomia e uma história cheia de altos e baixos que não faz questão nenhuma de esconder. Jacquin é especializado em culinária francesa com sabor e visual elaborados, e se considera o pioneiro do petit gâteau no país.

Érick Jacquin nasceu em 1964, em Dun Sur Auron, uma pequena e tradicional cidade do departamento de Cher, no centro da França, perto do Vale do Loire, região das vinícolas e dos castelos onde moravam os reis franceses. Ainda jovem se mudou para Paris, capital mundial da gastronomia, onde se encontram grandes restaurantes e os maiores chefs de cozinha do planeta.

Teve a oportunidade de trabalhar em cozinhas que fazem parte dos melhores guias gastronômicos, com chefs renomados como Alain Morel, Gerard Faucher, Philippe Groult e Roland Magne. Mas a oportunidade de ouro surgiu com Henri Charvet, que passou a ele o comando do Le Comte de Gascogne, restaurante especializado em foie gras (fígado inchado de pato). Depois de seis anos de trabalho, ganhou sua primeira estrela no guia Michelin, em 1995.

Deixar a França não fazia parte dos planos, até que uma proposta irrecusável o trouxe para São Paulo para comandar a cozinha do restaurante Le Coq Hardy, onde ficou por 4 anos e conquistou o respeito do público e da crítica especializada. Já no comando da cozinha do Café Antiqüe, consagrou-se como um grande chef.

O temperamento explosivo e a exigência com os funcionários lhe deram fama de mau. “Não é só fama, eu sou mau. Não tenho duas caras. Eu sempre fui assim. Eu sou uma pessoa que reage no momento, na hora. Eu não penso. Às vezes eu me arrependo. Mas, bem ou mal, nunca mudei minha personalidade”, explica Jacquin. Hoje, tem mais senso de humor e não se irrita como antes, o que ele atribui à maturidade, mas isso não significa que tenha deixado de lado a personalidade que o tornou famoso no Brasil. Também é conhecido por ser um bom mentor e pela capacidade de formar mão de obra, ainda de que de uma maneira um pouco controversa. Assim como a grosseria de momentos impulsivos, a ternura com que trata os funcionários também faz parte da personalidade do chef.

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FOTO: CAROL GHERARDI/BAND

Mesmo sendo reconhecido no meio e colecionador de prêmios, foi sem o dólmã, aquele uniforme branco usado na cozinha, que ganhou fama. Jacquin é, para muitos, o mais polêmico e querido jurado do reality culinário MasterChef Brasil, onde julga os participantes ao lado de Paola Carosella e Henrique Fogaça. O papel de carrasco por conta dos comentários ácidos durou pouco tempo, logo Jacquin conquistou o público com seu sotaque e simpatia. Ele ressalta o papel positivo que programas de culinária exercem ao popularizar a gastronomia. “Acredito que o grande mérito do MasterChef e de outros programas não é transformar chefs em celebridades, mas mostrar que qualquer um pode cozinhar. A gastronomia, seja brasileira, francesa, o que for, é um patrimônio cultural de um país. Educação gastronômica deve fazer parte da educação das crianças. E esse patrimônio não pertence aos chefs de cozinha, mas sim às donas de casa.”

O programa, que está em sua terceira temporada, fez com que o chef recuperasse a autoestima. Assim como os participantes do reality passam por momentos amargos na competição, Jacquin também teve que se reinventar em um período da carreira. Depois de muitos problemas, precisou fechar o restaurante que tinha em São Paulo, o La Brasserie, que havia ganhado seis vezes o prêmio “Comer e Beber” da revista Veja São Paulo. O principal motivo foram as dívidas de cerca de R$1 milhão.

A dura decisão veio após a situação ficar insustentável, inclusive com a impossibilidade de atender aos pedidos dos clientes por falta de ingredientes.  “O MasterChef foi uma oportunidade de consolidar a minha carreira. Antes, só os clientes do meu antigo restaurante me conheciam. Hoje, todo mundo sabe quem eu sou, graças ao programa. Quando eu aceitei participar eu estava numa fase muito difícil da minha vida, tinha fechado o La Brasserie. Ser jurado foi uma forma de continuar no mercado. Já consegui saldar parte das minhas dívidas. Não sei se vou conseguir pagar tudo. Mas tudo se negocia. Eu sou honesto. Poderia ter fugido, voltado para a França. Mas não fiz isso”, se orgulha Jacquin.

Depois do encerramento das atividades do restaurante paulistano, Jacquin começou trabalhar como consultor gastronômico em estabelecimentos de São Paulo, Belo Horizonte, Manaus e Recife. Hoje acredita ser muito difícil comandar um bom restaurante. O acesso à informação e a exigência dos clientes dificultam ainda mais o trabalho. “Hoje é difícil consertar as coisas. O mercado mudou, todo mundo é crítico. No fundo, é bom ter público exigente, pois isso permite que a gente cresça, faça coisas diferentes. Para isso, é preciso produto bom, equipe boa e cliente que gosta de coisa boa”, resume.

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FOTO: DIVULGAÇÃO MASTERCHEF/BAND

Recentemente teve que encarar duras críticas ao restaurante Le Bife, do qual o é consultor. “Mas eu agradeço as críticas. Toda crítica é positiva. E, para falar a verdade, eu nem ligo. Eu sei o que estou fazendo. Podem me criticar, mas, por favor, falem de mim.” Mas admite que o reconhecimento também é muito melhor. “Hoje as pessoas se interessam pela proposta do chef. Antes, iam ao restaurante para comer o que queriam. O brasileiro quer experimentar.”

Erick é casado com uma brasileira, Rosângela Menezes. O relacionamento já dura 12 anos. O casal se conheceu na festa de aniversário de um amigo em comum, o fotógrafo Luiz Tripolli, e já se mudou pro mesmo apartamento dois meses depois do início do namoro. Na época, Rosângela era hostess de casas do Grupo Fasano. Hoje é a maîtresse do La Cocotte, restaurante que tem Jacquin como consultor. A relação foi oficializada em outubro do ano passado.

Cheio de hábitos, Jacquin adora um bom vinho e confessa que não tem uma alimentação regulada. “Como mais à noite, faço tudo errado. Odeio comer de manhã, não tomo café. Só como de manhã se minha mulher deixa pronto e, às vezes, almoço às 17h.” Sempre que pode, visita o país de origem, mas confessa que a alma já é brasileira. “Quando estou lá, tenho vontade de voltar para cá. Minha casa é aqui, me naturalizei brasileiro e sou corintiano.”

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